Continuação...

30 julho 2007

Agradeço a todos os que escreveram a propósito de meu texto intitulado “Por que você não assume que até hoje não creu?”.

Na maioria das cartas se diz a mesma coisa:

“Eu creio, mas minha fé não é um surto de significado, o que não me leva a deixar as coisas que hoje me prendem a uma vida só pra mim, trocando-a por uma existência cheia e plena de significado para mim e para outros”.

Somente um pastor tentou me dizer que eles, os Pedros, Jões e Paulos, eram “homens de pouca fé”, e que por isso ele discordava de mim, mas não conseguiu explicar em que discordava.

De fato por “surto de significado” eu quero dizer “poder do Espírito Santo” dando à vida da pessoa uma única chance de felicidade — a de viver para comer o pão da vida e da missão da vida, não tendo assim qualquer outra chance de realização pessoal sem que tal seja o âmago da vida conforme o Evangelho.

Na Parábola dos Talentos Jesus fala do que fazer com o que se é; ou seja: com o que se recebeu como essência, passando a ser algo “operacional” apenas porque o que é, tem que se manifestar.

Além disso, Jesus também diz que tais talentos-dons são dados “conforme a capacidade de cada um”. Por isso cada um recebeu quantidades diferentes.

No entanto, se é conforme a capacidade de cada um, então, é igual para todos; pois, seria desigual se quem tivesse 1 tivesse que ter a performance quantitativa de quem recebeu 5.

Portanto, não há desculpas; posto que ninguém recebeu nem mais nem menos do que foi capacitado pela Graça a ser e executar — dentro e fora de si.

O que acontece, entre tantas coisas e causas, é que muita gente não assume o surto de significado em razão da culpa.

Tais pessoas sempre acham que não devem ser ou ir por não serem “dignas”.

Assim, de modo muito virtuoso, deixam de multiplicar o que são e têm em razão da culpa; sendo que logo a culpa vira álibi para que nada se seja ou faça.

Outro aspecto é que muita gente confunde as manifestações de fé conforme o N.T.


No N.T. temos:

1. A fé como esperança de graça convirgida para Jesus. É a fé dos que buscaram e buscam milagres para si e para outros. É a fé dos que são salvos, ou curados, conforme o grego dos evangelhos. “A tua fé te curou!”

2. Temos ainda a fé que é fidelidade para com Jesus e Sua Palavra; e isso de modo focado na busca da preservação da integridade do ensino e da vida pessoal e comunitária. Nesse caso a fé tem a ver com conteúdo sadio e com vida coerente.

3. Há também a fé que vê, que enxerga, que acredita que o que não existe pode vir a existir. É a fé que remove montanhas.

4. E há, por último, especialmente em Paulo, a fé como uma designação para o corpo de ensino apostólico.

Ora, a fé que gera o surto de significado é a fusão de todas essas expressões em uma síntese existencial caracterizada por paixão, ousadia, alegria e poder no anuncio da Palavra — com espírito de intrepidez, amor e moderação.

Entretanto, o que Pedro recebeu provavelmente não foi o que Bartolomeu recebeu.

Ora, os próprios apóstolos fazem esta distinção quando afirmam que Pedro e Paulo tinham chamados mais intensos e extensos a mundos mais amplos.

Portanto, não há comparações e nem tampouco qualquer espírito de clonagem ou de repetição histórica e existencial de um em relação a outro.

“Deu a cada um conforme a sua capacidade” — é o que Jesus disse.

A questão, portanto, não é nem mesmo acerca de sua capacidade, mas sim apenas em relação ao que você e eu recebemos. Pois, se recebi, então, a capacidade me foi dada com o dom-talento-dom.

Desse modo eu não pergunto jamais se sou capaz, pois, pela existência do dom em mim, eu sei que com ele recebi capacitação para o seu exercício.

Imagine se aos 18 anos eu fosse esperar me sentir digno para botar em prática a paixão que me devorava, o que teria acontecido?

Sim! — sem ir à escola há três anos, sem nunca ter lido um livro, e tendo vivido até ali uma vida jovem-adulta de significado, porém, totalmente “indigna” conforme os parâmetros de dignidade sempre aventados nessas horas, e para complicar não sendo “gostado” na cidade pelas brigas de antes — o que teria eu me animado a ser e fazer?

Além disso, o tempo mais efetivo de meu surto de significado aconteceu justamente quando minha “indignidade era maior”.

De fato, essa tal “indignidade” tem que existir junto com a paixão, pois, na realidade o surto de significado faz com que a Graça que cobriu o indigno se torne em sua grande alegria e força na proclamação, tanto quanto na gratidão que gera vida pessoal com Deus.

O surto de significado tem que ser constituído da moção do amor que não se contém ante a vida e, sobretudo, ante o que o Evangelho significa para o mundo; e isso a partir do significado dele para mim.

Quando Paulo manda que Timotéo “avive o dom” que nele existia, ele apenas dizia que Timotéo não deveria deixar arrefecer seu surto de significado; ou seja: sua loucura de amor.

Sem loucura de amor não há dom a ser vivido em plenitude!

Vou parar por aqui embora tenha ainda muito a dizer, mas irei dizendo aos poucos.


Nele, em Quem ainda não sou o que Ele me deu para ser em plenitude relativa, aqui na terra; e nem em plenitude absoluta, a qual acontecerá quando de minha total transformação,



Caio

30/07/07
Lago Norte
Brasília

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